Para não variar, há muito que aqui não escrevia, mas como é óbvio não podia deixar passar este momento em branco…não poderia deixar de dizer: Adeus Marat!
Infelizmente é mesmo verdade, o dia que eu mais temia desde Novembro de 2000, desde o dia em que o vi pela primeira vez e em que me tornei logo fã, chegou! Chegou o dia mais negro do ténis mundial, quarta-feira 12 de Novembro de 2009, este fatídico dia, foi o dia do último jogo do Marat, o dia em que o Grande Marat Safin disse Adeus ao Ténis! Sim, eu sei que o Marat já tinha anunciado no ano passado que iria deixar o ténis este ano, e é obvio que sabia que este seria o seu último torneio, também é obvio que não estou surpreendida com este Adeus, mas não deixa de ser um dia triste e negro para o ténis e para os seus seguidores!
Quarta-feira foi um dia triste, triste nos dois sentidos da palavra, foi triste, foi com pesar que vimos o Marat perder na segunda ronda do Masters 1000 de Paris contra o Del Potro (não foi um dia triste pela derrota em si, já que o Marat habituou-nos a derrotas bem piores, mal de mim se ainda ficasse chocada com algumas das suas derrotas) e assim terminar a sua carreira, e por outro lado foi triste no sentido de que foi ridículo (e também cómico) ver o Federer perder na sua primeira ronda contra o Benneteau, essa truta (ó pah, eu ainda vivo para estes dias, que cada vez são mais).
Mas voltando ao Marat, o Marat perdeu por 4-6; 7-5; 4-6, foi um bom jogo, jogou bastante bem (se bem que poderia ter jogado melhor), poderia ter ganho… mostrou que ainda está bom para as curvas e que ainda tinha pedalada para mais uns anitos no circuito! Acabou por ser uma boa despedida, é claro que a despedida podia ter sido melhor, a despedida poderia ser com uma vitória, mas o que interessa mesmo, é que perdeu com dignidade e pode dizer Adeus de cabeça erguida com orgulho de si próprio! É claro que foi um jogo que gravei e que vai ficar para a posteridade, para mais tarde recordar, só é pena que a Sporttv (com a incompetência que já nos habituou) não tenha passado a homenagem que lhe foi feita! O último jogo do Marat, é triste pensar que este foi o último jogo dele, que foi a última vez que o vi jogar, que não o vou voltar a ver jogar…jogos a sério! Sim, espero ainda vê-lo fazer mais uns joguitos nos torneios de exibição! Pelo menos no início de Dezembro no torneio de exibição na Argentina, antes de ele ir escalar para a patagónia!
É triste vê-lo ir embora, mas acho que ele fez bem, via-se que já estava fartinho do ténis, mas ainda perdia a cabeça com os jogos, os sentimentos contraditórios do costume, o típico vindo do Marat! Mas também o que se pode esperar de alguém que é a mistura da frieza russa com o sangue quente espanhol, nada mais nada menos que a pura contradição! Lol Quando se trata de Marat Safin os sentimentos contraditórios imperam, desde a atitude de não quero saber do jogo ao partir a raquete logo a seguir…sentimentos contraditórios, portanto! Até estas contradições vão deixar saudades, é que estes sentimentos contraditórios acabavam por fazer com que o jogo se tornasse mais interessante e ele ainda mais carismático!
Também é muito triste pensar na tristeza que vai ser o tour sem o Marat, vai ser um pouco, ou melhor, bastante secante, é que jogadores carismáticos não existem, no máximo existem jogadores a tentar e a esforçarem-se em demasia para parecerem carismáticos. Em termos de talento, o sangue novo parece sangue fora da validade, e aqueles que vale a pena ver jogar, sofrem do mal de terem uma panca proporcional ao seu talento, não passando das segundas rondas (onde será que eu já vi isto antes?! Lol), vá-se lá saber porquê! Por acaso, até acho que nos devíamos debruçar sobre este tema…se pensarmos nos génios do mundo…pintura, cinema, matemática, física, e por aí fora, todos eles eram…assim…como dizer isto…um pouco, para não dizer bastante “cucos” de la cabeça! Por isso, porque é que os génios do ténis haveriam de ser diferentes?? É claro que há vários tipos de “cucos” de la cabeça, e nem todos são génios…temos como bons “cucos” de la cabeça, isto é génios, Marat Safin, Gaston Gáudio, e como maus “cucos” de la cabeça como o Daniel Kollerer, Mikhail Youzhny (depois de abrir a cabeça com a raquete ganhou este estatuto), que são simplesmente malucos! Estava a pensar no Tommy Haas, este não sei como o categorizar! Será um génio ou um maluco com talento?! LOL
É claro que é triste ver o nosso tenista favorito ir embora, ver o nosso ídolo de há 9 anos acenar no meio do court pela última vez, é triste saber que vou deixar de fazer noitadas ou acordar de madrugada para o ver jogar, que vou deixar de me enervar tanto, de me descabelar, de quase ter um ataque cardíaco a ver um jogo, e de fazer o sorriso estúpido sempre que o via, vou deixar de enxovalha-lo sempre que ele enterrava, de fazer um ar de reprovação e abanar a cabeça enquanto ele sofria breaks por “estupidezes”, de o ver partir raquetes quando falhava e de mal festejar os seus pontos, e de o ver festejar títulos! É verdade que há já muito tempo que não o via ganhar um título, mas também não é menos verdade que me lembro do dia da vitória do AO como se tivesse sido ontem, a felicidade extrema! Nem me importei quando nesse mesmo dia o Porto perdeu em casa 3-1 com o Braga (com aquele golo idiota do João Tomás), a felicidade pela vitória do Marat era demasiadamente grande! Há tanta coisa que não vou esquecer, os grandes pontos, as grandes jogadas, as grandes asneiras, os grandes jogos, as grandes palhaçadas que ele fazia em court, os dramas, as quedas, os mergulhos, as discussões, os amuos, os ares ressacados, as lesões que lhe atrapalharam a carreira, o carisma, a beleza extrema e aquele sorriso, ai aquele sorriso! Outra coisa que nunca vou esquecer é saber que ele podia ter sido muito mais, mas também nunca me vou esquecer que no seu melhor era sem dúvida o melhor, diga o que se disser!
De qualquer forma foi uma grande carreira, foi número 1 do mundo, ganhou torneios do Grand Slam, ganhou títulos, ganhou a taça Davis mais do que um vez, fez grandes jogos, divertiu-se, manteve sempre a personalidade, disse sempre o que tinha a dizer, mostrou-se sempre uma pessoa com opiniões, às vezes até demasiadas, teve milhares de fãs, milhares de pessoas a apoiá-lo, milhares de pessoas a vibrar com as suas vitórias, e algumas dezenas a vibrar com as suas derrotas (o que parecendo que não também é importante), arrancou aplausos ao público mesmo quando partia raquetes, fez gente rir e fez gente chorar, fez sempre o que quis, foi fiel a si próprio e isso é sem dúvida alguma é o mais importante!
Adeus Marat! Obrigada por tudo, vemo-nos por aí….